love

love

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Transformando a dor em amor.

Todos nós temos histórias pra contar, mas nem sempre olhamos para estas histórias com atenção, para ver sua beleza, força, superação, enfim, captar o aprendizado que elas podem nos proporcionar. Até as mais simples, há beleza nelas também. Mas ainda bem que muitas belas histórias nos são contadas através de outros, e assim, agitamos dentro de nós sentimentos importantes.
Um desses sentimentos é a solidariedade. Coisa tão linda que é este sentimento. Quando vejo histórias como essa que irei contar, recebo uma avalanche de otimismo e de fé nas pessoas.
Nos Estados Unidos, a família de um menino de 4 anos, que luta contra a leucemia há 2, descobriu que ele teria pouco tempo de vida. Sabendo disso, a comunidade onde ele mora resolveu antecipar o Natal, e fez uma festa para ele. Festa com coral, Papai e Mamãe Noel, e passeio no caminhão dos bombeiros. Ah, e presentes, claro. Músicas de Natal sempre me emocionam, quando vi a matéria foi difícil segurar o choro. É aquela sensação nostálgica, a lembrança daquele tempo de criança onde tudo era fantasia. Os presentes que apareciam como num passe de mágica, e não era possível entender como o Papai Noel fazia para não ser descoberto. Que bom que o Ethan viveu mais este Natal.
E o mais lindo disso tudo era que ninguém parecia triste, estavam todos realmente comemorando o Natal, empenhados, felizes com a celebração. O pai do Ethan lhe explicou que o menino Jesus era uma criança especial, por isso levaram presentes na manjedoura, assim como seus vizinhos e amigos estavam fazendo com ele. 
Viver essa magia, onde não há maldade, onde só existem sonhos e brincadeiras e ainda receber todo esse carinho, que mistura, hein?! As crianças precisam disso, e os adultos também, que mal tem nisso? Que bom que as pessoas sabem transformar a dor em amor. Você já tentou? Eu já, e garanto que é umas das melhores sensações que alguém pode ter.

sábado, 25 de outubro de 2014

Reclamar adianta?

Trabalhar com a dor, a morte, a vida, que as vezes parece escorrer entre os dedos, mexe com compartimentos que acredito que muitas pessoas não acessam. Não que eu me ache uma pessoa melhor que as outras, nunca, jamais. É a minha profissão, e é nobre, claro, assim como a de um professor também é, de uma psicóloga, um pedreiro. Perto de outras tantas outras colegas, minha experiência não é vasta, somente 8 anos, mas asseguro que foram vividos intensamente. 
Comecei a falar disso, pois vi um post hoje que falava o seguinte: "Antes de reclamar do trânsito, do cabelo, veja essa história.". A referida história era a de um criança com câncer. Confesso que não li o que estava escrito até o final. Talvez porque seja meu cotidiano, meu passado, presente e futuro, não sei. Histórias de grandes perdas são muito tocantes, e volta e meia alguém fala algo do tipo: "você reclama da sua vida, mas veja quantas pessoas sofrem por não ter casa, comida, saúde...". É inútil falar. Ninguém vai parar de reclamar.
 O tempo não para, o trânsito te engole, a revista mostra como o seu cabelo deve ser, a atriz dita a ultima moda, a internet praticamente te obriga a ser perfeito. As pessoas lêem essas histórias e por alguns minutos acham que realmente reclamam demais, se desculpam, e minutos depois tudo volta a ser como era antes. As pessoas que passaram por grandes perdas, por algum tempo param de reclamar. Mas a gente esquece, esquece da dor, esquece que reclamar não é importante, esquece. 
Deixar de reclamar não vamos, mas quem sabe podemos diminuir?! Sim, agora falo de uma coisa possível, viável, e que existe. Não posso dizer como eu seria se não fosse enfermeira e se não tivesse tido uma grande perda na minha vida, só sei ser assim, uma pessoa que reclama, sim, muito até, mas sou também uma pessoa que dá valor às coisas simples. Elas aliviam esse turbilhão de problemas que nos faz reclamar. Pés na grama, pôr-do-sol, pequenos carinhos e gestos de amor, a companhia de quem amamos. A morte vai chegar, vamos perder, e não podemos interferir. O que vamos levar disso, aí é outra história, independente se reclamarmos ou não. Porque a gente vai continuar reclamando, infelizmente.