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terça-feira, 22 de novembro de 2016

O tempo


Toca o despertador. Senta na cama, pensa em voltar a deitar, deita, senta de novo, coragem, levanta. Os bichanos reclamam, querem o café da manhã. Banho, prepara o seu café da manhã. Come, mas está em modo soneca. Se arruma como todo os dias, seca o cabelo, coloca a maquiagem para esconder as olheiras que toda a enfermeira que se preza tem, mas não consegue, então atenua, disfarça. Sai de casa, e no caminho para o trabalho, começa a acordar.
Bate o ponto, entra. Vê os olhos brilhantes e o sorriso de quem recebe todos que entram, a abraça, é indispensável para começar o dia. Cumprimenta os colegas, guarda a bolsa, veste o jaleco, serve o café fraco e pega água. Acorda, e começa a trabalhar.
Entre um atendimento e outro, bate na porta um senhor, atendido no dia anterior em uma consulta conjunta.
"Oi enfermeira, vim dar um retorno. Ontem eu não estava bem e vocês me ouviram, se preocuparam com o meu problema, e quis dizer para vocês que foi importante esse momento e agora vou procurar ajuda como vocês me orientaram."
São interrompidos algumas vezes, mas seguem. Conversam mais, na saída se abraçam.
Mais atendimentos. A colega chega, para e a escuta. Respira. Se arruma, e sai. Entre uma coisa e outra, um café. Olha as pessoas na rua. Encontra um amigo, ganha um abraço. No caminho olha para o céu. Ao chegar em casa, olha pela janela sua vista abençoada, tira uma foto e compartilha. Mas segue olhando para o céu fluorescente de hoje, pois a cada entardecer tem cores diferentes. Respira, agradece. 
Que bom que teve tempo, para ouvir o paciente, para tomar o café, para ganhar o abraço, para olhar para céu. O tempo, ou o momento, foi ela quem fez.