Quando alguém próximo se vai, temos duas opções: lembrar dela com carinho e saudade, ou tentar esquecer e pensar no lado ruim. Essa decisão vem com o tempo, pois no início dificilmente sabemos como administrar a perda devido ao turbilhão de sentimentos e a confusão que eles geram dentro de nós.
Passado um tempo, as idéias começam a se organizar, e escolhermos em que prateleiras guardaremos nossos sentimentos mais íntimos em relação àquela pessoa. É uma decisão difícil, porque ninguém é totalmente bom ou mau, mas é o que geralmente fazemos, rotulamos. É uma forma de se proteger, de se defender, de se esconder.
Escolher lembrar de mágoas, ausências, atitudes ruins pode nos distanciar, mas por serem sentimentos ruins também não nos farão bem. Escolher lembrar somente dos momentos bons, cria uma ilusão, porque nada na vida é uma maravilha.
Qual a fórmula do equilíbrio? Talvez perdoar as coisas ruins seja uma boa escolha. Deixe ir. Lembrar do que foi bom, porque não? Que marcas você quer carregar? Eu escolheria as que me fizeram sorrir, como um colo, um eu te amo, um ovo cozido com a gema mole. Sou dessas, e desejo isso para vocês também.
Administrar uma perda é uma das tarefas mais difíceis que a vida nos obriga a enfrentar. Por mais que tenhamos lido sobre o assunto, aconselhados por amigos ou até mesmo passado por isso antes, nunca é algo simples para lidar. Dependendo de quem se foi, a primeira reação e a de negação, seguida pela dor profunda e desespero. Quando o tempo começa a jogar os anos sobre nós, a tendência é a de guardar as lembranças boas vividas ao lado da pessoa querida, uma vez que, caso tenham havido mais eventos desagradáveis em vida, o falecido nem será tão lembrado quanto aquele que marcou pelos pontos positivos. Assim, o dilema apresentado no texto (de lembrar das coisas boas ou tentar esquecer), parece um tanto fácil de ser respondido. Penso que não é uma questão de escolher, já que a lembrança vem independente da nossa vontade (ou não vem, conforme a proximidade que tínhamos com quem partiu). O que se pode administrar, no entanto, é justamente como as lembranças vão nos afetar. Uma ideia, embora ainda não comprovada por pesquisas da Universidade de Massachussets, é a de pensar que a pessoa em questão ficaria feliz em ser lembrada sem sofrimento por quem deixou e não gostaria que sua partida causasse dor. Assim, iríamos nos forçando aos poucos a manter a saudade sob controle e seguir a vida com mais calma. Conforme dito no início, não há como evitar o turbilhão de sentimentos provenientes da perda. Isso também é viver.
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