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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Quando alguém se vai, pra nunca mais.


Quando alguém próximo se vai, temos duas opções: lembrar dela com carinho e saudade, ou tentar esquecer e pensar no lado ruim. Essa decisão vem com o tempo, pois no início dificilmente sabemos como administrar a perda devido ao turbilhão de sentimentos e a confusão que eles geram dentro de nós.
Passado um tempo, as idéias começam a se organizar, e escolhermos em que prateleiras guardaremos nossos sentimentos mais íntimos em relação àquela pessoa. É uma decisão difícil, porque ninguém é totalmente bom ou mau, mas é o que geralmente fazemos, rotulamos. É uma forma de se proteger, de se defender, de se esconder.
Escolher lembrar de mágoas, ausências, atitudes ruins pode nos distanciar, mas por serem sentimentos ruins também não nos farão bem. Escolher lembrar somente dos momentos bons, cria uma ilusão, porque nada na vida é uma maravilha. 
Qual a fórmula do equilíbrio? Talvez perdoar as coisas ruins seja uma boa escolha. Deixe ir. Lembrar do que foi bom, porque não? Que marcas você quer carregar? Eu escolheria as que me fizeram sorrir, como um colo, um eu te amo, um ovo cozido com a gema mole. Sou dessas, e desejo isso para vocês também.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Pra quem não gosta de Natal.

Comerciais que nos fazem chorar litros. Histórias tristes que nos comovem e nos mobilizam a sermos solidários com o próximo, e fora dessa época a maioria não faz nada. Lembranças de outros Natais que nos assombram, fatos bons e fatos ruins.
Saudade de alguém que não vai mais passar um fim de ano com a gente. Saber que quando o Natal passar, tudo voltará a ser como antes. Alguém que a gente gosta não vai passar mais muitos Natais com a gente. Não entender porque algumas pessoas já foram, e no tempo e na circunstância que aconteceu. Querer voltar no tempo e ter aquele Natal de novo. Não dar tanta importância pra um presente num Natal passado.
Tem gente que acha Roberto Carlos piegas. Meu pai gostava de Roberto Carlos. Devia ser proibido morrer em dezembro.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Na ponta do nariz.

Dezembro pode ser considerado o mês internacional das reflexões. Pensa-se em tudo: promessas feitas em dezembro do ano anterior, promessas para fazer pro próximo ano, atitudes, o sentido da vida, e por aí vai. Isso sem contar as reflexões que nos acompanham de janeiro a janeiro.
Falando nelas, disserto aqui sobre uma conversa que tive com uma amiga. Refletíamos sobre mudanças, em como uma experiência pode nos transformar, e no caso, falávamos em uma mudança para melhor. Na verdade, se pararmos pra pensar, toda experiência que vivemos passa uma lição, mas nem sempre estamos prontos para entender e aproveitar para o nosso crescimento. 
Tenho certas restrições ao usar a palavra destino. Acho que nossas atitudes que determinam o que acontece com nosso futuro e culpar o destino soa como uma desculpa. Porém, contudo, toda via, tem vezes que a vida nos prega cada peça que é inevitável culpar ele. 
Se dezembro é um bom mês pra refletir eu não sei, mas a gente faz. E a minha reflexão, me fez lembrar deste poema do Quintana que divido com vocês:
DA FELICIDADE
Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão por toda a parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Anjos de uma asa só.

Um dia conheci um anjo. Na hora não percebi que se tratava de um, até porque ele não era nem um pouco angelical no jeito de ser, nem à primeira, nem à segunda vista. Mas se parecia com anjos retratados por ai, cabelos loiros e cacheados, olhos azuis, pele branca.
Tinha um gênio forte, o que também não era angelical. Tive que convencê-lo que eu era melhor que as outras, e assim pude me aproximar, cada vez mais. Esse anjo brigava comigo, e eu com ele muitas vezes. Queria atenção, reclamava. É, acho que éramos parecidos. Mas a gente se dava bem no final das contas, se entendia. 
Anjo que adora suco de laranja e chocolate branco existe? Sim. Um dia, atarefada, larguei tudo para comprar chocolate pra ele. O que eu não fazia por ele? Até lembrancinha de viagem eu comprei, pena que ele não viu, precisou ir embora.
Com ele vi sentido na frase: "Somos todos anjos com uma asa só; e só podemos voar quando abraçados uns aos outros". Juntos voávamos, nas nossas conversas, na companhia um do outro. Ele precisou voar, e com outro anjo foi pra bem longe. 
Ainda bem que antes de partir ele me apresentou uma anja-amiga. Que não é loira e nem tem olhos azuis, mas voa lindamente.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Dentro de um abraço

Recentemente a banda Jota Quest lançou uma música chamada "Dentro de um abraço". Ela fala que lá é o melhor lugar do mundo, e que nele tudo se dissolve. Há alguns meses proferi tal frase, disse exatamente isso: "O melhor lugar do mundo é dentro de um abraço." 
Coincidência ou não, ouvi a música é ela é muito bonitinha. Fala desse ato tão gostoso e gratuito que é o ato de abraçar. 
Há mais ou menos um ano, li uma matéria que falava que um abraço com mais de 20 segundos de duração, libera ocitocina na corrente sanguínea. O famoso "hormônio do amor", traz vários benefícios físicos e mentais, ajudando a controlar medos, ansiedades, e proporcionando uma sensação de bem estar, carinho e proteção. 
A correria do vida, e o distanciamento das pessoas, nos tira a oportunidade de abraçar quem amamos todos os dias, e esse simples abraço poderia resolver muitas coisas. Então, sempre que possível, abrace. E não por 20 segundos. Esqueça o relógio e se entregue. Já abraçou hoje? Eu já! :)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Ser fã


Fã vem de fanatismo. Adoram algo ou alguém além do "normal". Mas o que seria normal? E para ser fã, tem que ser fanático? Tem que ir na frente do hotel de um artista, colecionar coisas à respeito dele, ou pode simplesmente gostar muito? 
Sou fã de muita gente, de artistas inclusive, e não no sentido fanático da palavra, mas sim, porque gosto muito. Sou dessas. Faz bem pra alma, pois a vida é feita de sentimentos. 
Músicas, por exemplo, alimentam nossa vida toda. Nos dão o prazer de relembrar momentos quando tocam. Aquele cantor ou cantora que embalou belos momentos? Ah, sim, sou fã! 
Uma pessoa, amiga próxima, batalhadora, sincera, parceira nas boas e nas más horas. Sou muito fã! Colega de profissão, exemplo de ética, espelho. Eu sou fã! Mãe, irmã, sou fã. 
Feliz de quem se permite ser fã. Ser fã é admirar, querer bem. É torcer para o sucesso da pessoa. É querer tirar uma foto com ela para registrar o momento que estiveram juntas. Ser fã, é uma forma de amar.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Quando bate a saudade



Ela vem de uma música, uma foto, um cheiro, um lugar, ou porque tem que vir, simples assim. Chega sem avisar, toma conta, é avassaladora.
A gente tenta espantar, não quer ela perto muitas vezes, é sofrido lembrar, mas não há solução pois não temos controle sobre ela. O que fazer? Sentir.
Existem vários tipos de amor, e consequentemente, vários tipos de saudade. Cada uma dói, mas também tem sua beleza.
Saudade de um amor, o tipo não correspondido, onde tu lembra aqueles momentos que viveram e imagina como teria sido se não tivesse o fim que teve. Saudades de como teria sido.
Saudade de alguém que já "se foi", e que não voltará mais. Os momentos juntos são presentes e importantes demais, não há o que fazer, a não ser levar a beleza de cada pedacinho vivido.
Saudade daquele amigo, que está looooonge, e te faz tanta falta, teu confidente, teu irmão de alma. O abraço faz falta, o olhar.
Clichês à parte, acho que a palavra saudade é a palavra mais bonita do mundo (e não é porque ela não existe em outra língua). A saudade nos permite sentir novamente, momentos maravilhosos que o nosso coração nos permitiu guardar.  Com a saudade a gente ama de novo, e de novo, e de novo. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Para um amor gratuito

Não me rendo assim tão fácil, mas ele tinha um sorriso encantador. Sou doida em sorrisos, e parece que ele sabia. Sabe aquele sorriso que te pega desprevenida? Esse mesmo, assim era o dele. Na verdade todas se rendiam àquele sorriso, eu não fui privilegiada.
Eu amei ele, hoje consigo ver isso com clareza. Como disse, não me envolvo assim tão fácil, mas talvez pelo fato de ele ser especial, de precisar tanto de amor, e de ter aquele sorriso, claro, eu caí nos seus encantos. Para abraçá-lo era necessário um ritual, mas era mais gostoso pra mim do que pra ele. 
Hoje, ao encontrar a sua mãe eu vi que já faz mais de um ano do nosso último encontro. A gente não se despediu direito, acho que foi melhor assim. Talvez fosse muito doloroso pra mim. Levá-lo para a UTI já não foi fácil, mas queria vê-lo mais confortável. 
Obrigada por ter passado pelo meu caminho, quem sabe um dia a gente se encontra... Nunca vou me esquecer do teu sorriso. 

sábado, 8 de novembro de 2014

Moral de cuecas

Quem nunca quis dar uma bela lição de moral? Apontar os defeitos, erros, falhas e por ai vai, é simples, fácil, e passa aquela impressão de "eu sou melhor que você, pois eu reconheço o erro que você não vê". 
Aspas à parte, me pego a pensar em como essas atitudes, porque não dizer, autoritárias, são tão mais fáceis do que simples interações, um compartilhamento mútuo, um olhar pra si antes de apontar o problema do outro. Tem gente que fala pelos cotovelos, tem mil teorias pra vida, acha que sabe tanto, mas quando se trata da sua vida, tudo cai por terra, e aí a tal "Moral de cuecas" se aplica bem. 
O Beltrano vive dando conselhos para a sua amiga solteira, teorias e mais teorias, mas está sozinho e não consegue se relacionar. A Fulana fala para a amiga aproveitar a solteirice, que queria muito estar como ela, mas namora um cara que não ama e não termina porque tem medo de ficar sozinha. A Ciclana tem um caso com um cara casado, e diz para todo mundo que sonha em encontrar um homem fiel. 
Hipocrisia também é uma bela palavra, e poderia ser usada nesses casos, mas o que quero dizer é que as pessoas, na maioria das vezes estão muito mais preocupadas em passar uma imagem forte e inabalável, que esquecem que ao apontar o problema do outro, está tratando do seu também. Conceitos e mais conceitos. Somos humanos em primeiro lugar, cheios de defeitos, com algumas qualidades. 
Ninguém quer conselhos, mas sim soluções. Quem for esperto escuta, mas cala. Quem for amigo fala, mas abraça. 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Mais do que a obrigação

Quando trabalhamos com algo que gostamos, o trabalho não se torna um peso nas nossas vidas. É, geralmente é assim. Digo geralmente pois as cargas horárias são pesadas, a cobrança é forte, os prazos são curtos, bem como os salários. Isso tudo deixa o glamour de lado. Com certeza quem faz o que gosta faz melhor, e consequentemente ameniza a parte ruim do trabalho. Até aqui, nenhuma novidade.
De tempos em tempos, a vida nos manda algum feedback. No trabalho não é diferente, e isso nos auxilia muito para pensarmos no modo como estamos lidando com as situações que enfrentamos e na maneira que fazemos as coisas.
Deveríamos pensar sobre nossas atitudes com mais frequência, mas muitas vezes ligamos o piloto automático. Pra que pensar se é mais cômodo assim, tudo igual, como numa linha de produção? Tá, às vezes sai um sorriso, mas vamos lá, segue o barco, é só mais um trabalho, mais um cliente, vamos adiante. Parece frio, e é, mas acontece, e muito. 
Mas quero voltar ao início, quando falei sobre trabalhar com o que gostamos, e aí as coisas não acontecem tão automáticas assim. Podemos até pensar que sim, pela correria todos os dias, ou por parecer que o trabalho se repete. Mas além de atentarmos para nossa satisfação pessoal, também devemos prestar atenção aos sinais e retornos que recebemos. A frase "Não faz mais do que a obrigação", não se aplica, porque quem gosta do que faz, faz além, e muitas vezes faz sem perceber.
Aconteceu comigo algo interessante essa semana. Cuidei de uma criança esse ano e sua avó, que trabalha no hospital, vinha me contar sobre a netinha quando eu chegava para trabalhar. Eu a atendi várias vezes e não fiz "mais do que a minha obrigação". Há alguns dias atrás, a avó da criança me chamou quando eu ia embora e me entregou um convite de aniversário de 1 aninho, dizendo que foi a criança que me mandou. 
Não quero um troféu, o objetivo de escrever esse texto não é esse. Quis dizer que por mais que alguns fatores me fizessem sentir triste em muitos momentos, sei que não faria nada melhor na vida do que ser enfermeira. Sempre tive a certeza que estou na profissão certa, amo o que faço e mesmo achando que eu "não fiz mais do que a obrigação", acho que eu fiz. Que bom que a vida nos presenteia com momentos como esse e faz a gente querer fazer "mais".


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Transformando a dor em amor.

Todos nós temos histórias pra contar, mas nem sempre olhamos para estas histórias com atenção, para ver sua beleza, força, superação, enfim, captar o aprendizado que elas podem nos proporcionar. Até as mais simples, há beleza nelas também. Mas ainda bem que muitas belas histórias nos são contadas através de outros, e assim, agitamos dentro de nós sentimentos importantes.
Um desses sentimentos é a solidariedade. Coisa tão linda que é este sentimento. Quando vejo histórias como essa que irei contar, recebo uma avalanche de otimismo e de fé nas pessoas.
Nos Estados Unidos, a família de um menino de 4 anos, que luta contra a leucemia há 2, descobriu que ele teria pouco tempo de vida. Sabendo disso, a comunidade onde ele mora resolveu antecipar o Natal, e fez uma festa para ele. Festa com coral, Papai e Mamãe Noel, e passeio no caminhão dos bombeiros. Ah, e presentes, claro. Músicas de Natal sempre me emocionam, quando vi a matéria foi difícil segurar o choro. É aquela sensação nostálgica, a lembrança daquele tempo de criança onde tudo era fantasia. Os presentes que apareciam como num passe de mágica, e não era possível entender como o Papai Noel fazia para não ser descoberto. Que bom que o Ethan viveu mais este Natal.
E o mais lindo disso tudo era que ninguém parecia triste, estavam todos realmente comemorando o Natal, empenhados, felizes com a celebração. O pai do Ethan lhe explicou que o menino Jesus era uma criança especial, por isso levaram presentes na manjedoura, assim como seus vizinhos e amigos estavam fazendo com ele. 
Viver essa magia, onde não há maldade, onde só existem sonhos e brincadeiras e ainda receber todo esse carinho, que mistura, hein?! As crianças precisam disso, e os adultos também, que mal tem nisso? Que bom que as pessoas sabem transformar a dor em amor. Você já tentou? Eu já, e garanto que é umas das melhores sensações que alguém pode ter.

sábado, 25 de outubro de 2014

Reclamar adianta?

Trabalhar com a dor, a morte, a vida, que as vezes parece escorrer entre os dedos, mexe com compartimentos que acredito que muitas pessoas não acessam. Não que eu me ache uma pessoa melhor que as outras, nunca, jamais. É a minha profissão, e é nobre, claro, assim como a de um professor também é, de uma psicóloga, um pedreiro. Perto de outras tantas outras colegas, minha experiência não é vasta, somente 8 anos, mas asseguro que foram vividos intensamente. 
Comecei a falar disso, pois vi um post hoje que falava o seguinte: "Antes de reclamar do trânsito, do cabelo, veja essa história.". A referida história era a de um criança com câncer. Confesso que não li o que estava escrito até o final. Talvez porque seja meu cotidiano, meu passado, presente e futuro, não sei. Histórias de grandes perdas são muito tocantes, e volta e meia alguém fala algo do tipo: "você reclama da sua vida, mas veja quantas pessoas sofrem por não ter casa, comida, saúde...". É inútil falar. Ninguém vai parar de reclamar.
 O tempo não para, o trânsito te engole, a revista mostra como o seu cabelo deve ser, a atriz dita a ultima moda, a internet praticamente te obriga a ser perfeito. As pessoas lêem essas histórias e por alguns minutos acham que realmente reclamam demais, se desculpam, e minutos depois tudo volta a ser como era antes. As pessoas que passaram por grandes perdas, por algum tempo param de reclamar. Mas a gente esquece, esquece da dor, esquece que reclamar não é importante, esquece. 
Deixar de reclamar não vamos, mas quem sabe podemos diminuir?! Sim, agora falo de uma coisa possível, viável, e que existe. Não posso dizer como eu seria se não fosse enfermeira e se não tivesse tido uma grande perda na minha vida, só sei ser assim, uma pessoa que reclama, sim, muito até, mas sou também uma pessoa que dá valor às coisas simples. Elas aliviam esse turbilhão de problemas que nos faz reclamar. Pés na grama, pôr-do-sol, pequenos carinhos e gestos de amor, a companhia de quem amamos. A morte vai chegar, vamos perder, e não podemos interferir. O que vamos levar disso, aí é outra história, independente se reclamarmos ou não. Porque a gente vai continuar reclamando, infelizmente.