Quando trabalhamos com algo que gostamos, o trabalho não se torna um peso nas nossas vidas. É, geralmente é assim. Digo geralmente pois as cargas horárias são pesadas, a cobrança é forte, os prazos são curtos, bem como os salários. Isso tudo deixa o glamour de lado. Com certeza quem faz o que gosta faz melhor, e consequentemente ameniza a parte ruim do trabalho. Até aqui, nenhuma novidade.
De tempos em tempos, a vida nos manda algum feedback. No trabalho não é diferente, e isso nos auxilia muito para pensarmos no modo como estamos lidando com as situações que enfrentamos e na maneira que fazemos as coisas.
Deveríamos pensar sobre nossas atitudes com mais frequência, mas muitas vezes ligamos o piloto automático. Pra que pensar se é mais cômodo assim, tudo igual, como numa linha de produção? Tá, às vezes sai um sorriso, mas vamos lá, segue o barco, é só mais um trabalho, mais um cliente, vamos adiante. Parece frio, e é, mas acontece, e muito.
Mas quero voltar ao início, quando falei sobre trabalhar com o que gostamos, e aí as coisas não acontecem tão automáticas assim. Podemos até pensar que sim, pela correria todos os dias, ou por parecer que o trabalho se repete. Mas além de atentarmos para nossa satisfação pessoal, também devemos prestar atenção aos sinais e retornos que recebemos. A frase "Não faz mais do que a obrigação", não se aplica, porque quem gosta do que faz, faz além, e muitas vezes faz sem perceber.
Aconteceu comigo algo interessante essa semana. Cuidei de uma criança esse ano e sua avó, que trabalha no hospital, vinha me contar sobre a netinha quando eu chegava para trabalhar. Eu a atendi várias vezes e não fiz "mais do que a minha obrigação". Há alguns dias atrás, a avó da criança me chamou quando eu ia embora e me entregou um convite de aniversário de 1 aninho, dizendo que foi a criança que me mandou.
Não quero um troféu, o objetivo de escrever esse texto não é esse. Quis dizer que por mais que alguns fatores me fizessem sentir triste em muitos momentos, sei que não faria nada melhor na vida do que ser enfermeira. Sempre tive a certeza que estou na profissão certa, amo o que faço e mesmo achando que eu "não fiz mais do que a obrigação", acho que eu fiz. Que bom que a vida nos presenteia com momentos como esse e faz a gente querer fazer "mais".
A satisfação da profissão nem sempre vem financeiramente, mas às vezes de pequenos gestos, como um simples convite. Parece que escolheu bem a tua.
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